Basilica di Santa Maria Maggiore
Uma das quatro grandes basílicas papais, Santa Maria Maior é a maior igreja de Roma dedicada à Virgem e a única que conservou intacto o seu núcleo paleocristão. A lenda conta que foi fundada depois de a Virgem aparecer ao papa Libério em 358, pedindo que se construísse uma igreja onde a neve tivesse caído em agosto — e na manhã de 5 de agosto a neve branqueou de facto a colina do Esquilino. O milagre é reencenado todos os anos com uma chuva de pétalas brancas vinda do teto. O edifício atual remonta à década de 430, erguido logo depois de o Concílio de Éfeso ter proclamado Maria "Mãe de Deus". A nave está revestida de cintilantes mosaicos do século V com cenas do Antigo Testamento — entre os mais antigos mosaicos narrativos de qualquer igreja —, enquanto o arco triunfal e a abside do século XIII resplandecem de ouro mais tardio. O teto plano de caixotões é, segundo a tradição, dourado com o primeiro ouro que Colombo trouxe das Américas, oferta dos soberanos espanhóis. Bernini, que projetou parte do edifício, está aqui sepultado sob uma lápide notoriamente modesta.
Parco di Piazza Vittorio
A Piazza Vittorio Emanuele II é a grande praça retangular no coração do Esquilino, a mais ampla do centro de Roma, traçada na década de 1870 e cercada por longas arcadas oitocentistas que lhe dão um ar de cidade do norte de Itália. Ao centro há um jardim público arborizado — os Giardini di Piazza Vittorio — onde todo o bairro multicultural vem sentar-se, brincar e encontrar-se. Entre as palmeiras e os relvados escondem-se verdadeiras surpresas: as ruínas de tijolo de uma monumental fonte romana chamada os "Troféus de Mário" e, a um canto, a estranha Porta Mágica do século XVII, a única porta alquímica sobrevivente de Roma. Após décadas de degradação, os jardins foram progressivamente recuperados e continuam a ser o motor social do rione — um lugar para compreender o Esquilino de hoje mais do que os seus monumentos.
Basilica di Santa Croce in Gerusalemme
Uma das sete igrejas jubilares de Roma, Santa Croce ergue-se na margem oriental do Esquilino, encostada às Muralhas Aurelianas. Foi fundada por volta de 325 dentro do Sessorium, a residência imperial de santa Helena, mãe de Constantino — que, segundo a tradição, trouxe da Terra Santa as relíquias da Paixão de Cristo e terra consagrada do Calvário, espalhada nos alicerces, donde o nome "em Jerusalém". Por detrás de uma teatral fachada barroca da década de 1740, a basílica conserva os seus ossos antigos e uma capela das relíquias que guarda fragmentos tidos como da Verdadeira Cruz, um cravo, alguns espinhos da coroa e parte do Titulus — a inscrição da cruz, encontrada emparedada na abside em 1492. O fresco absidal com a lenda da Verdadeira Cruz, atribuído a Antoniazzo Romano, resplandece sobre o altar. É uma das igrejas mais sugestivas e menos concorridas de Roma.
Chiesa di Santa Prassede
A poucos passos de Santa Maria Maior, ao longo de uma rua lateral, o sóbrio exterior de tijolo de Santa Prassede não deixa adivinhar o que espera lá dentro. Reconstruída pelo papa Pascoal I no início do século IX, no renascimento carolíngio, guarda alguns dos mais deslumbrantes mosaicos de estilo bizantino de Roma, que ardem na abside e no arco triunfal com o ouro de uma Jerusalém celeste. A sua joia é a pequena Capela de São Zenão, erguida por Pascoal como mausoléu para a sua mãe Teodora e inteiramente revestida de mosaico áureo do século IX — tão radiosa que foi apelidada de "Jardim do Paraíso". Num nicho lateral guarda-se uma colunela de pedra escura tida como a da flagelação de Cristo, trazida de Jerusalém. Sóbria, antiga e arrebatadora, Santa Prassede é um dos grandes tesouros escondidos do Esquilino.
Palazzo Merulana
Na Via Merulana, a ampla avenida que liga Santa Maria Maior a São João, o Palazzo Merulana é um museu de arte italiana do início do século XX instalado num notável edifício oitocentista de 1929 — originalmente o Serviço de Higiene da Câmara, bombardeado durante a guerra, deixado durante décadas como ruína destripada e renascido em 2018 após um cuidadoso restauro. Guarda a coleção da Fundação Cerasi: cerca de uma centena de obras centradas na Escola Romana e na arte italiana do entreguerras, com nomes como Balla, De Chirico, Sironi, Mafai, Donghi e Antonietta Raphaël. Distribuído por quatro pisos luminosos, com uma cafetaria e uma vista do alto sobre o bairro, é ao mesmo tempo um belo pequeno museu e um símbolo do renascimento do Esquilino.
Arco di Gallieno
Encaixado entre casas mais tardias na estreita Via di San Vito, o Arco de Galiano é muito mais antigo do que parece — é a antiga Porta Esquilina, uma das portas das Muralhas Servianas que cingiam Roma desde o século VI a.C. Reconstruída em sóbrio travertino por Augusto como porta de três vãos, era o ponto em que o Clivus Suburanus saía da cidade rumo às colinas orientais. Em 262 d.C., o prefeito da Urbe Marco Aurélio Vítor voltou a dedicá-la como arco honorário ao imperador Galiano e à sua mulher Salonina, cuja aduladora inscrição corre ainda pelo ático. Os dois vãos laterais menores foram demolidos em 1447 para dar lugar à igrejinha dos Santos Vito e Modesto, que ainda se lhe encosta. Fácil de atravessar sem reparar, é uma das estruturas mais antigas ainda de pé em todo o rione.