Palazzo Massimo alle Terme
Por detrás de uma sóbria fachada oitocentista junto à estação Termini esconde-se uma das maiores coleções de arte clássica do mundo, uma sede principal do Museu Nacional Romano. A maior parte dos visitantes passa-lhe ao lado com pressa, a caminho do Coliseu, e é precisamente por isso que as suas salas são tão tranquilas. O piso térreo e o primeiro piso guardam escultura sem rival: o "Púgil em repouso" em bronze, obra-prima helenística de cerca de 100 a.C. que retrata um lutador exausto, com feridas embutidas a cobre e o nariz partido, o rosto totalmente desprovido de heroísmo; o "Discóbolo" em mármore; e o sereno Hermafrodita adormecido. Mas a verdadeira maravilha está no último piso — salas pintadas inteiras, destacadas de vilas romanas, sobretudo os frescos de jardim da Villa de Lívia, mulher de Augusto: uma parede inteira de árvores em flor, aves e frutos que o envolve num jardim de há 2000 anos em perpétua primavera. O museu guarda também os Fastos, fragmentos dos calendários oficiais de Roma e das listas de magistrados.
Santa Maria degli Angeli
É uma igreja construída dentro de uma ruína. O seu vasto interior é o frigidarium sobrevivente — a sala do banho frio — das Termas de Diocleciano, o maior complexo termal que a Roma antiga alguma vez construiu, concluído por volta de 306 d.C. Em 1561, o papa Pio IV encarregou o idoso Miguel Ângelo de converter o colossal espaço abobadado numa basílica em honra dos escravos cristãos que, segundo se diz, morreram a construir as termas. O génio de Miguel Ângelo foi a contenção: deixou as imponentes colunas monolíticas de granito vermelho e as esguias abóbadas de aresta essencialmente como os romanos as tinham construído, de modo que a igreja conserva a verdadeira escala da arquitetura imperial melhor do que qualquer reconstituição. Encaixada no pavimento corre a Linha Meridiana Clementina, uma longa tira de bronze assente em 1702 para que um raio de sol do meio-dia, caindo de um orifício no alto da parede, pudesse marcar a data com precisão astronómica — o grande relógio de sol coberto de Roma.
The Aurelian Walls
Durante trezentos anos Roma não sentiu necessidade de muralhas — as fronteiras do império eram a sua defesa. Essa segurança acabou na década de 270 d.C., quando as incursões bárbaras chegaram à Itália e o imperador Aureliano lançou em torno da cidade um circuito de muralhas de tijolo de 19 quilómetros numa década frenética, construindo até casas, túmulos e aquedutos diretamente nos novos baluartes para ganhar tempo. O resultado é a cintura muralhada antiga mais bem conservada do mundo: cerca de 13 dos 19 quilómetros originais estão ainda de pé, pontuados de torres e abertos por portas monumentais. Continuaram a defender Roma até 1870, quando as tropas italianas as romperam junto à Porta Pia para arrancar a cidade ao Papa. Pode percorrer um troço dos baluartes no Museu das Muralhas, dentro da Porta San Sebastiano, onde o caminho de ronda oferece a vista de um soldado sobre a via Ápia.
Terme di Diocleziano
As maiores termas alguma vez construídas em Roma, concluídas por volta de 306 d.C., podiam acolher cerca de 3000 banhistas de cada vez num complexo estendido pelo que é hoje um bairro inteiro junto a Termini. As suas gigantescas salas eram uma cidade do ócio — tanques quentes e frios, ginásios, bibliotecas e jardins — e a sua escala governa ainda a forma das ruas e praças que se lhes sobrepuseram, da curva da Piazza della Repubblica à igreja aberta no seu coração. Hoje grande parte sobrevive como secção do Museu Nacional Romano, com vastas salas abobadadas, um sereno claustro atribuído a Miguel Ângelo e uma coleção epigráfica que se lê como o diário da Roma antiga. É uma das visitas museológicas mais tranquilas da cidade, e a forma mais fácil de captar a colossal ambição das obras públicas imperiais.
Piazza della Repubblica
Este grande hemiciclo colunado, traçado após a unificação da Itália, é uma das praças mais cénicas de Roma precisamente porque decalca o perfil de uma ruína antiga: a sua ampla curva segue a grande exedra das Termas de Diocleciano, razão pela qual os romanos mais velhos ainda lhe chamam Piazza Esedra. As arcadas gémeas, construídas nas décadas de 1880 e 90, emolduram o vivo cruzamento de várias avenidas largas. Ao centro estrondeia a Fonte das Náiades, cujas quatro ninfas de bronze reclinadas sobre criaturas marinhas causaram um pequeno escândalo na inauguração de 1901, por serem consideradas sensuais em excesso. Por detrás da fonte, o sóbrio flanco de tijolo de Santa Maria degli Angeli esconde a igreja de Miguel Ângelo dentro das termas. Venha de noite, quando a fonte e as colunatas estão iluminadas e a praça está no seu auge operático.
Fontana del Mosè e Santa Maria della Vittoria
Duas obras-primas bem diferentes encaram-se no Largo Santa Susanna. A Fontana dell'Acqua Felice, dita do Moisés, foi construída em 1587 para celebrar o aqueduto restaurado pelo papa Sisto V; a sua estátua central de Moisés a fazer brotar água da rocha é de proporções tão desajeitadas que, conta a lenda, o seu escultor morreu de vergonha pelos escárnios que suscitou. Em frente, a modesta igreja de Santa Maria della Vittoria esconde uma das obras supremas do Barroco: o Êxtase de Santa Teresa de Bernini, em que a santa arrebatada é trespassada pela seta dourada de um anjo entre uma cascata de panejamentos de pedra e luz dourada, observada por membros esculpidos da família Cornaro debruçados de camarotes de ambos os lados. Leve uma moeda para a iluminação; o mármore parece dissolver-se.
Porta Pia
Último projeto arquitetónico de Miguel Ângelo, iniciado em 1561 para o papa Pio IV, a Porta Pia substituiu uma antiga porta nas Muralhas Aurelianas por uma fachada arguta e anticonvencional — o mestre octogenário ainda empenhado em quebrar as regras do decoro clássico que passara a vida a dominar. Não viveu o suficiente para a ver concluída. Três séculos depois a porta deu o nome a um momento decisivo da história italiana. A 20 de setembro de 1870 as tropas do novo reino de Itália abriram uma brecha no muro mesmo ao lado dela, a Brecha de Porta Pia, e entraram em Roma — pondo fim a mais de mil anos de domínio papal e fazendo da cidade a capital da Itália unida. Uma coluna e algumas lápides assinalam o ponto, e um pequeno museu dos Bersaglieri conta a história.