Villa d'Este
Quando o cardeal Ipólito d'Este, preterido para o papado em 1550, foi mandado governar Tivoli como consolação, vingou-se da desilusão construindo o jardim mais espetacular da Europa. Desbastou uma encosta e escavou-a em socalcos num teatro de água: cerca de quinhentas fontes, repuxos, cascatas e tanques, cada um movido apenas pela gravidade a partir de um canal derivado do rio Aniene a montante. A Alameda das Cem Fontes, a estrondosa Fonte do Ovato, a Fonte de Neptuno e um órgão hidráulico que toca realmente música fazem dela uma fantasia renascentista de som e movimento. Património Mundial da UNESCO, tornou-se o modelo que inspirou os jardins principescos de Versalhes aos grandes parques da Alemanha. Vá num dia límpido, quando os repuxos captam a luz, e conceda-se um par de horas sem pressa para percorrer cada terraço.
Villa Adriana
A mais vasta e rica vila de todo o mundo romano, a Villa Adriana era menos uma residência de campo do que uma pequena cidade imperial, estendida por 120 hectares abaixo da vila. Construída a partir de cerca de 117 d.C., foi a tentativa do culto imperador de reunir num só lugar as maravilhas do seu vasto império: pórticos, bibliotecas, teatros, termas e pavilhões evocando os monumentos da Grécia e do Egito. A sua obra-prima é o Canopo, um longo espelho de água — que evoca um canal sagrado junto a Alexandria — ladeado por cariátides e coroado por uma grande gruta-triclínio absidada, o Serapeu. Silenciosas, imensas e sombreadas por ciprestes e oliveiras, as ruínas recompensam uma lenta meia jornada de passeio pelo que foi a mais requintada residência privada da Terra. Venha à abertura, antes do calor e dos autocarros, e leve água — a sombra é pouca.
Villa Gregoriana
Se as outras duas vilas falam de artifício humano, a Villa Gregoriana fala do drama puro da natureza — esculpido, é certo, por um papa. Após cheias catastróficas, Gregório XVI mandou escavar em 1835 um duplo túnel no Monte Catillo para desviar o rio Aniene e, ao fazê-lo, criou a Grande Cascata, uma queda de água de 120 metros que se precipita numa funda garganta arborizada. Uma rede de trilhos íngremes desce por entre grutas, miradouros e os salpicos da cascata, para subir na encosta oposta até à antiga acrópole. Hoje cuidada pelo FAI, é um parque romântico e um pouco selvagem que os viajantes do Grand Tour adoravam e que a maioria dos visitantes modernos deixa escapar. Use calçado adequado para a descida íngreme e por vezes escorregadia, e conte com uma boa hora e meia para todo o circuito.
Temple of the Sibyl
Debruçada sobre a própria borda da garganta acima da Villa Gregoriana ergue-se uma das ruínas mais pintadas de toda a arte: um pequeno e perfeito templo circular do início do século I a.C., cingido por dez colunas coríntias sobreviventes. Tradicionalmente ligado à Sibila Tiburtina — a profetisa que, conta a lenda, predisse ao imperador Augusto a vinda de Cristo —, ergue-se ao lado de um segundo templo, retangular. Turner, Piranesi e inúmeros pintores do Grand Tour imortalizaram a sua silhueta contra a cascata lá em baixo, e continua a ser o emblema de Tivoli. Admira-se melhor a partir dos trilhos da Villa Gregoriana em frente, onde o templo redondo, o retangular e a água que se precipita compõem a vista clássica; a ruína em si ergue-se no jardim de um restaurante da cidade alta.