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Testaccio
ROMA · RIONI VIVOS

Viva Roma como os romanos. Descubra Testaccio e os outros Rioni.

Redescubra a história viva da cidade. O Rione mapeia os bairros antigos de Roma, um a um, com os monumentos, as histórias e os conselhos de quem cá vive.

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O que ver — Testaccio

Piramide Cestia

Piramide Cestia

A pirâmide de Roma é um autêntico túmulo antigo, construído por volta de 18–12 a.C. para Caio Céstio, rico magistrado, num momento em que a conquista do Egito desencadeara a moda de tudo o que fosse egípcio. Revestida de resplandecente mármore branco de Carrara e com 36 metros de altura sobre base quadrada, foi — gaba-se uma inscrição — concluída em apenas 330 dias, para cumprir as cláusulas do testamento de Céstio. A sua sobrevivência deve-se à reciclagem: quando o imperador Aureliano construiu as muralhas da cidade na década de 270, englobou simplesmente a pirâmide como baluarte já pronto, e é por isso que continua de pé enquanto túmulos mais grandiosos desapareceram. No interior, uma pequena câmara sepulcral conserva ténues frescos. Todo o monumento foi elegantemente limpo na década de 2010 graças a um mecenas japonês, e o interior pintado pode visitar-se em ocasionais aberturas guiadas.

Porta San Paolo

Porta San Paolo

Junto à Pirâmide, no Piazzale Ostiense, a Porta San Paolo é uma das portas mais majestosas e mais bem conservadas das Muralhas Aurelianas, construídas na década de 270 d.C. Originalmente Porta Ostiensis, marcava o início da via Ostiense, a estrada que descia até ao porto de Roma em Óstia; recebeu o nome atual na Idade Média, da vizinha basílica de São Paulo, alcançável por um percurso devocional que partia precisamente daqui. O imperador Honório reforçou-a com torres e ameias por volta de 401–403, dando-lhe o perfil de fortaleza que conserva ainda hoje. A porta viu passar a história — os ostrogodos de Tótila entraram aqui em Roma no século VI, após a traição da guarnição — e, um pouco mais adiante, algumas lápides recordam os soldados e civis italianos tombados a defender a cidade dos alemães a 10 de setembro de 1943. Nas suas torres e no pequeno "Castelletto" fortificado acrescentado por Magêncio está instalado o Museu da Via Ostiense, um tranquilo museu de entrada gratuita que expõe moldes de inscrições, marcos funerários, frescos tumulares e, o mais fascinante, duas grandes maquetas da antiga Óstia e dos portos imperiais de Cláudio e Trajano.

Cimitero Acattolico

Cimitero Acattolico

O "Cemitério Não Católico", à sombra da Pirâmide, é um dos cantos mais belos e comoventes de Roma — um jardim sombreado de ciprestes onde, durante três séculos, a cidade sepultou os protestantes, os ortodoxos, os judeus e os livres-pensadores que não podiam repousar em terra consagrada católica. Aqui repousam os poetas românticos ingleses: John Keats, morto em Roma aos 25 anos em 1821, sob uma lápide que não traz nome algum, apenas o seu amargo epitáfio, "Aqui jaz Aquele cujo Nome foi escrito na Água"; e as cinzas de Percy Bysshe Shelley, afogado no ano seguinte ao largo da costa toscana. Ao lado deles repousam o filósofo político Antonio Gramsci e uma legião de artistas e exilados. O próprio Shelley escreveu que o lugar "poderia fazer alguém apaixonar-se pela morte". Uma colónia de gatos vela entre os túmulos; ao portão pede-se um pequeno donativo.

Monte Testaccio

Monte Testaccio

Uma das colinas mais estranhas da Terra: o Monte Testaccio é inteiramente artificial, um montículo com cerca de 35 metros de altura construído com os restos estilhaçados de cerca de 53 milhões de "ânforas" romanas — os grandes potes de terracota usados para transportar o azeite até ao vizinho porto fluvial da cidade. Como o azeite impregnava a terracota porosa e rançava, os potes não podiam ser reutilizados, pelo que durante cerca de três séculos foram cuidadosamente partidos e empilhados aqui com ordem quase industrial, chegando a ser polvilhados com cal para conter o cheiro — fazendo da colina um vasto arquivo da economia antiga, com os cacos marcados com os nomes dos produtores da Hispânia romana. Mais tarde escavaram-se caves no montículo fresco e estável e, hoje, os seus flancos estão cercados pelos bares e restaurantes que fazem de Testaccio o coração da vida noturna de Roma. Só se pode subir em visitas guiadas mediante marcação.

Mattatoio di Testaccio

Mattatoio di Testaccio

O antigo matadouro de Roma, o Mattatoio, é um vasto complexo de baixos pavilhões de tijolo e ferro construído entre 1888 e 1891 — na época um dos edifícios industriais mais modernos de Itália e um monumento da engenharia civil oitocentista. Deu ao bairro a sua identidade: as sobras com que se pagava aos magarefes, o "quinto quarto", tornaram-se a base da verdadeira cozinha romana, ainda servida nas tascas em redor. Desativados em 1975, os grandes armazéns renasceram como um dos polos culturais mais sugestivos da cidade. Hoje acolhem uma sede do museu de arte contemporânea MACRO (muitas vezes chamada MACRO Testaccio / Mattatoio), um espaço para exposições e espetáculos gerido pela Azienda Speciale Palaexpo e parte da faculdade de arquitetura da universidade Roma Tre. Caminhando entre as velhas coberturas de ferro, as rampas para o gado e a estátua sobrevivente de uma figura alada sobre a entrada, leem-se em conjunto o passado industrial e o presente criativo.

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