Terme di Caracalla
Inauguradas por volta de 216 d.C., as Termas de Caracala eram menos um lugar para se lavar do que um vasto complexo de lazer — capaz de acolher cerca de 1600 banhistas de cada vez, com salas quentes, mornas e frias, uma piscina ao ar livre, ginásios, bibliotecas em grego e latim, jardins e lojas. As imponentes paredes de tijolo sobreviventes dão apenas uma ideia esquelética do original, que era revestido de mármores coloridos, mosaicos e estátuas colossais (o célebre Hércules Farnese e o Touro Farnese foram desenterrados destas ruínas). Uma rede subterrânea de galerias de serviço, suficientemente amplas para carros, permitia a um exército de escravos alimentar as fornalhas que aqueciam os pavimentos e as paredes — um sofisticado sistema de aquecimento central chamado "hipocausto". A alimentar tudo estava um ramal dedicado de aqueduto. Desde 1937 as elevadas ruínas servem de espetacular palco ao ar livre da temporada de verão do Teatro da Ópera de Roma; ouvir a Aída entre as paredes iluminadas numa noite quente é uma das grandes experiências da cidade.
Basilica di San Saba
Uma serena sobrevivência no "Pequeno Aventino", San Saba nasceu de um mosteiro do século VII fundado por monges em fuga da Terra Santa — dedicado a São Sabas, grande fundador do monaquismo palestiniano. A igreja atual, reconstruída por volta dos séculos X–XII, parece a mundos de distância da Roma turística ao pé da colina. No interior, um belo pavimento cosmatesco de pedra colorida embutida ondula rumo a uma abside; uma invulgar quarta "nave", disposta em ângulo, alude ao complicado crescimento do edifício. A não perder: a rara loggia pintada a fresco sobre o pórtico de entrada e, junto à porta, um gracioso fresco medieval de São Nicolau a fornecer os dotes a três raparigas pobres — uma das histórias na origem do Pai Natal. A tranquila pracinha lá fora é um dos cantos mais autenticamente residenciais da Roma central.
Basilica di Santa Balbina
Uma das igrejas mais secretas de Roma, Santa Balbina ergue-se no topo de uma antiga rua murada no Pequeno Aventino, mesmo acima das Termas de Caracala. Basílica paleocristã, foi erguida após as invasões bárbaras sobre a aula de uma grande casa romana — provavelmente a residência de Lúcio Fábio Cilão, cônsul em 204 d.C. — e um "titulus Sanctae Balbinae" está já atestado no século VI. A severa fachada de tijolo e o pórtico de pilares toscanos são fruto do radical restauro de 1927–30 de Antonio Muñoz, que devolveu a igreja à sua planta medieval de nave única com nichos retangulares e absidais. O interior despojado e luminoso é um silencioso escrínio de escultura medieval. À direita da entrada ergue-se o monumento funerário cosmatesco de Stefano de Surdis, capelão papal falecido em 1303, esculpido por Giovanni di Cosma e trazido para aqui da antiga São Pedro; num nicho lateral, um relevo em mármore da Crucificação de Mino da Fiesole e Giovanni Dalmata provém do sepulcro do papa Paulo II. A abside conserva uma belíssima cátedra episcopal cosmatesca do século XIII, ao passo que o pavimento está lajeado de antigos mosaicos romanos a preto e branco colocados aqui na década de 1930. Poucos romanos alguma vez a descobrem — e é precisamente esse o seu encanto.