Santa Maria della Vittoria
Modesta igreja barroca numa rua movimentada, Santa Maria della Vittoria esconde uma das obras supremas da escultura europeia. Na Capela Cornaro, Gian Lorenzo Bernini encenou o seu "Êxtase de Santa Teresa" (1647–52) como teatro total: a santa abandona-se para trás sobre uma nuvem enquanto um anjo sorridente se prepara para lhe trespassar o coração com uma seta dourada, e uma luz escondida chove de uma janela dissimulada, ao passo que raios de bronze dourado parecem vibrar à sua volta. Bernini esculpiu até membros da família Cornaro em "camarotes" de mármore nas paredes laterais, debruçados a ver o milagre como na ópera. As próprias palavras de Teresa — que descrevem a doçura e a dor do amor divino — deixaram a imagem deliberadamente suspensa entre o êxtase espiritual e algo bem mais sensual, uma tensão que desde então fascinou e escandalizou os espectadores. Leve uma moeda para a iluminação; o mármore parece dissolver-se em carne e tecido.
Horti Sallustiani
Sob o digno bairro oitocentista jazem os restos dos "Horti Sallustiani", um dos mais luxuosos parques de recreio da Roma antiga. Criados pelo historiador Salústio por volta de 40 a.C. com a fortuna que fez (e que foi acusado de extorquir) como governador de uma província, os jardins eram tão esplêndidos que passaram depois para propriedade imperial e se tornaram um refúgio predileto dos imperadores. As suas ruínas encontram-se hoje vários metros abaixo das ruas modernas, numa depressão rebaixada na Piazza Sallustio, onde é possível debruçar-se sobre as guardas para ver os muros de tijolo de um pavilhão que outrora dominava jardins em socalcos, fontes e esculturas gregas importadas. Muitas célebres antiguidades — entre elas o "Trono Ludovisi", agora no Palazzo Altemps — foram desenterradas nesta zona, lembrança da magnificência sepultada sob os pés.
Fontana del Mosè
Propriamente Fontana dell'Acqua Felice, esta monumental fonte (1585–88) foi construída para assinalar o termo do primeiro novo aqueduto realizado em Roma desde a Antiguidade, a Acqua Felice, desejado pelo enérgico papa Sisto V para devolver a água às colinas havia muito áridas. O seu ponto central é uma colossal estátua de Moisés a ferir a rocha para fazer brotar água para os Israelitas — um tema bíblico certeiro para um aqueduto. A escultura, de Prospero Antichi, foi tão amplamente escarnecida como desajeitada e demasiado musculosa (desfavoravelmente comparada com o Moisés de Miguel Ângelo do outro lado da cidade) que, conta a lenda, o seu escultor morreu de vergonha. Desajeitada ou não, a grande fonte em forma de arco de triunfo continua a ser um marco da Roma papal que reconstruía a cidade com confiança.