Ponte Sant'Angelo
Adriano construiu esta ponte em 134 d.C. para conduzir os visitantes através do Tibre até ao seu mausoléu; durante séculos foi a via principal dos peregrinos a caminho de São Pedro e, no Ano Santo de 1450, a multidão era tão densa que os parapeitos cederam e dezenas de pessoas se afogaram — um desastre que ficou gravado na memória da cidade. A sua glória chegou em 1669, quando o papa Clemente IX encarregou Gian Lorenzo Bernini de a redesenhar como via processional sagrada. Bernini concebeu dez anjos, cada um trazendo um instrumento da Paixão de Cristo — a coroa de espinhos, a coluna, os cravos, a cruz —, de modo que o peregrino, ao atravessar a ponte, percorresse simbolicamente a Via Sacra rumo à basílica. Bernini esculpiu pela sua própria mão dois dos anjos (considerados demasiado preciosos para ficarem ao relento, os originais estão hoje numa igreja próxima, e a ponte acolhe as cópias). Os três arcos centrais são ainda a obra romana original de Adriano, sob a guarda de honra esculpida.
Palazzo Altemps
Requintado palácio do final do Renascimento a dois passos da Piazza Navona, o Palazzo Altemps é hoje uma das quatro sedes do Museu Nacional Romano — e provavelmente a mais aprazível, porque as suas grandes esculturas antigas se expõem nas mesmas salas em que outrora vivia a família de um cardeal, em torno de um gracioso pátio de arcadas. O seu núcleo é a célebre coleção Ludovisi de mármores antigos, reunida no século XVII. Entre as obras-primas: o "Trono Ludovisi", um misterioso relevo grego do século V a.C. com uma deusa a emergir do mar; o "Gaulês suicida", uma cópia romana de um grupo helenístico de um guerreiro derrotado que se mata a si e à mulher em vez de ser capturado; e uma cabeça colossal de Hera. Muitos foram "restaurados" na época barroca — por vezes pelo próprio Bernini —, o que faz do museu também um testemunho de como as épocas anteriores reimaginaram o antigo.
Via dei Coronari
Uma rua renascentista perfeitamente reta cortada no emaranhado medieval, a Via dei Coronari segue o traçado da antiga Via Recta romana. O nome vem dos "coronari", os vendedores de rosários e bugigangas sacras que outrora se juntavam ao longo dela para intercetar os peregrinos a caminho de São Pedro, sobretudo nos Anos Santos. O papa Sisto IV endireitou-a e calcetou-a para o Jubileu de 1475, e muitas das suas belas fachadas remontam a esse período de confiança. Durante grande parte do século XX foi a rua dos antiquários de Roma e, embora boutiques e garrafeiras se lhe tenham infiltrado, a linha ininterrupta de alçados renascentistas — no seu melhor de manhã cedo, vazia e dourada — faz dela uma das vielas mais fotogénicas da cidade.