Via Veneto
Esta elegante avenida curvilínea foi traçada na década de 1880 através dos jardins da antiga quinta Ludovisi e, em meados do século XX, tornara-se a rua mais glamorosa da Itália. No final dos anos cinquenta, os seus grandes hotéis e os cafés de esplanada foram o palco do jet set internacional, das estrelas de cinema e dos fotógrafos que as perseguiam. Foi aqui que Federico Fellini ambientou "A Doce Vida" (1960) — e o fotógrafo independente do filme, chamado Paparazzo, deu ao mundo a palavra "paparazzi". Ainda que o fascínio cinematográfico se tenha desvanecido, restam os hotéis da Belle Époque, os plátanos curvilíneos e a sensação de um cenário de teatro desbotado, que sobe suavemente até aos portões do parque da Villa Borghese, no topo.
Casino dell'Aurora Ludovisi
Este modesto pavilhão de jardim guarda um tesouro único: a única pintura de teto que se conhece de Caravaggio. Por volta de 1597, o jovem pintor revolucionário decorou uma pequena sala do piso superior com "Júpiter, Neptuno e Plutão", uma extraordinária imagem a óleo sobre reboco dos três deuses vistos em forte escorço a partir de baixo, que, segundo se diz, trazem os traços do próprio artista. No piso térreo, Guercino pintou a fresco a sua luminosa "Aurora" (1621), a deusa da alvorada lançando o seu carro pelo céu — uma resposta barroca à mais célebre versão de Guido Reni ali perto. A vila é o fragmento de uma quinta aristocrática outrora vastíssima e, nos últimos anos, tornou-se famosa internacionalmente quando, enredada numa áspera disputa de herança, foi levada a leilão com o Caravaggio incluído — com uma avaliação de centenas de milhões de euros, sem encontrar comprador. É propriedade privada e abre apenas raramente, mediante marcação especial; confirme com muita antecedência.
Cripta dei Cappuccini
Sob a igreja de Santa Maria della Concezione encontra-se um dos espetáculos mais inquietantes de Roma: cinco pequenas capelas decoradas inteiramente com os ossos de cerca de 3700 frades capuchinhos, dispostos em lustres, arcos, rosáceas e motivos pelos seus irmãos sobreviventes entre as décadas de 1730 e 1870. Longe de ser mórbida, a cripta foi concebida como meditação sobre a mortalidade. Uma placa na última capela entrega diretamente a sua mensagem: "O que vós sois, nós fomos; o que nós somos, vós sereis." Alguns esqueletos estão envoltos no hábito castanho dos capuchinhos; terra trazida de Jerusalém cobre o pavimento. O museu contíguo conta a história da ordem — e, numa célebre tradição, a do café cappuccino, assim chamado pela cor dos seus hábitos de capuz. Silenciosa, ténue e profundamente estranha, é inesquecível.
Fontana delle Api
Encolhida aos pés da Via Veneto, na Piazza Barberini, a pequena Fonte das Abelhas de Bernini, de 1644, é fácil de não notar ao lado da mais imponente Fonte do Tritão ali perto. Tem a forma de uma grande concha de mármore aberta sobre a qual três abelhas — o emblema heráldico da família Barberini do papa Urbano VIII — parecem ter pousado para beber. Concebida como uma humilde fonte pública para pessoas e cavalos, traz uma inscrição que notoriamente teve de ser alterada à pressa quando deixava entender que o papa reinara 22 anos quando ainda ia no 21.º — um suposto mau presságio. Pequena, deliciosa e cheia de história, é um exemplo perfeito de como Bernini prodigalizava invenção mesmo nas obras hidráulicas quotidianas da cidade.