Parco Archeologico del Colosseo
O Parque Arqueológico do Coliseu é a grande área arqueológica aos pés do Célio, que reúne sob um único bilhete os monumentos que foram o palco da Roma antiga: o próprio Coliseu, o Fórum Romano, a colina do Palatino e o Arco de Constantino, a par da vizinha Domus Aurea. Um itinerário combinado permite caminhar da arena dos gladiadores, através do Fórum onde governava a República, até ao Palatino onde viviam os imperadores — a própria colina de que deriva a palavra "palácio". Iniciado como Anfiteatro Flávio em 70–80 d.C., o Coliseu acolhia talvez cinquenta mil espectadores para os jogos e as venationes; o seu hipogeu subterrâneo de monta-cargas e jaulas é hoje visitável. Dos terraços do Palatino o olhar percorre o Fórum até ao Capitólio de um lado e ao Circo Máximo do outro. É o troço mais concentrado de grandeza antiga do mundo — melhor reservá-lo com antecedência e percorrê-lo cedo, antes das multidões do meio-dia.
Basilica di San Clemente
San Clemente é a máquina do tempo mais vívida de Roma: três cidades empilhadas umas sobre as outras, que se atravessam descendo piso a piso. Ao nível da rua encontra-se uma serena basílica do século XII com um resplandecente mosaico absidal dourado — o "Triunfo da Cruz" como uma grande videira — e uma capela pintada a fresco por Masolino na década de 1420. Por baixo jaz uma igreja do século IV muito maior, cujas paredes conservam ainda desbotados frescos altomedievais, entre eles uma célebre cena cuja legenda transmite a mais antiga frase conhecida escrita em vulgar italiano em vez de latim — e dá-se o caso de ser uma exasperada imprecação. Desça de novo e chega a um beco romano do século I: uma casa privada e, ao lado, um escuro "Mitreu" abobadado, um templo ao deus mistérico Mitra com o altar que o representa a matar o touro cósmico. Por tudo isto corre o som de um ribeiro subterrâneo, água de uma antiga nascente que continua a correr entre os alicerces ao fim de dois mil anos.
Casina dei Salvi & Museo Forma Urbis
Estendido no ombro noroeste do Célio, o Parque Arqueológico do Célio é um terraço verde de pinheiros-mansos e mármores antigos dispersos, com uma das mais belas vistas sobre o Palatino e o Coliseu. Ao centro ergue-se a Casina del Salvi, uma pequena casa de café neoclássica construída por volta de 1835 pelo arquiteto Gaspare Salvi — segundo o modelo do pavilhão de Valadier no Pincio — e há pouco restaurada na sua função original de cafetaria e sala de estudo pública. No mesmo parque, o antigo Ginásio da GIL acolhe hoje o Museu da Forma Urbis, aberto em janeiro de 2024. O seu grande tesouro é a Forma Urbis Romae: uma colossal planta em mármore da cidade, gravada entre 203 e 211 d.C. sob Septímio Severo, que outrora cobria uma parede inteira — cerca de dezoito metros por treze — de uma sala no Fórum da Paz. Estilhaçada ao longo dos séculos, os seus fragmentos sobreviventes estão agora estendidos no pavimento do museu, sobrepostos à célebre Pianta Grande de Giambattista Nolli de 1748, de modo que a cidade antiga e a barroca se podem ler uma sobre a outra num só olhar.
Chiesa di Giovanni e Paolo / Case Romane del Celio
A basílica dos Santos João e Paulo coroa o Célio sobre o antigo Clivo de Escauro, com o alto campanário medieval e uma fila de arcos de contraforte entre as vistas mais fotografadas da colina. A igreja é dedicada a dois funcionários romanos, João e Paulo, que a tradição diz terem sido martirizados na sua própria casa exatamente neste lugar — e essa casa sobrevive, surpreendentemente intacta, nas divisões pintadas sob a nave. Sob a basílica dos Santos João e Paulo estende-se um notável labirinto de mais de vinte divisões — casas e lojas romanas que foram progressivamente unidas e, já no século III–IV, ricamente pintadas. Os frescos sobreviventes são surpreendentemente frescos: cenas de jardim, amorinos a vindimar as uvas e uma misteriosa "figura orante" que remete para um uso paleocristão das divisões. A tradição quer que a casa pertencesse a João e Paulo, dois funcionários romanos martirizados sob o imperador Juliano, o Apóstata, por volta de 362 e sepultados no local, com a igreja erguida depois diretamente sobre a sua habitação. Escavadas apenas na década de 1880, as salas pintadas são hoje um pequeno e sugestivo museu — uma rara ocasião de entrar no mundo doméstico da Roma tardo-antiga, a poucos minutos do estrondo do Coliseu.
Basilica e Monastero dei Santi Quattro Coronati
Recuada na tranquila crista entre o Célio e o Latrão, a igreja dos Santos Quatro Coroados parece mais um castelo do que uma igreja — e é mais ou menos o que veio a tornar-se. Fundada na Alta Idade Média e reconstruída como abadia fortificada após o saque normando de 1084, as suas muralhas possantes vigiavam outrora a estrada que os papas percorriam entre o Latrão e o Coliseu. Os quatro mártires "coroados" a que é dedicada eram, por tradição, canteiros mortos por se recusarem a esculpir um ídolo pagão. Por detrás do austero exterior escondem-se duas joias. Um minúsculo claustro do século XIII — entre os mais belos de Roma — encerra um jardim de colunelas cosmatescas geminadas em torno de uma fonte silenciosa, um oásis de total quietude. E no Oratório de São Silvestre um notável ciclo de frescos de 1246 narra a lenda do imperador Constantino e do papa Silvestre, incluindo a chamada Doação de Constantino — propaganda papal pintada em apoio da pretensão medieval ao poder temporal. O mosteiro acolhe ainda uma comunidade de freiras de clausura, que entregam aos visitantes a chave do claustro através de uma roda giratória no muro.
Basilica di Santo Stefano Rotondo al Celio
Santo Stefano Rotondo é uma das mais antigas e maiores igrejas de planta circular do mundo, consagrada no século V e dedicada a Santo Estêvão, o primeiro mártir cristão. A sua invulgar planta — um alto tambor central cingido por naves concêntricas de antigas colunas de granito e mármore — poderá evocar a rotunda do Santo Sepulcro em Jerusalém; estar no seu centro, iluminado pelas altas janelas do clerestório, é uma experiência estranhamente comovente do espaço paleocristão. A igreja é célebre, e um pouco famigerada, por uma segunda razão. No final do século XVI as suas paredes foram pintadas com um ciclo de frescos do Pomarancio e de Antonio Tempesta que mostram os martírios dos santos num detalhe cru e impiedoso — uma galeria contrarreformista do sofrimento que Charles Dickens, em visita na década de 1840, considerou uma das coisas mais horríveis em que o olhar podia pousar. Silenciosa, em penumbra e pouco visitada, continua a ser um dos interiores mais sugestivos do Célio.
Arco di Costantino
O maior arco triunfal romano sobrevivente, dedicado em 315 d.C., celebra a vitória de Constantino sobre o rival Magêncio na batalha da Ponte Mílvia de 312 — a batalha que, por tradição, Constantino venceu depois de ter visto uma cruz cristã no céu, encaminhando o império para o cristianismo. É também um gigantesco ato de reciclagem. Pressionados pelo tempo e com falta de escultores hábeis, os construtores de Constantino despojaram monumentos anteriores dos seus melhores relevos — medalhões da época de Adriano, painéis em honra de Marco Aurélio — e recolocaram-nos em torno do arco, limitando-se a reesculpir os rostos dos velhos imperadores nos de Constantino. O contraste é notável: as talhas do século II tomadas de empréstimo são elegantes e naturalistas, ao passo que os novos frisos do século IV são rígidos, frontais e planos, um instantâneo franco de como a arte clássica estava a mudar às portas da Idade Média. Ergue-se livre ao ar livre junto ao Coliseu, e aprecia-se melhor ao pôr do sol, quando a luz rasante do poente atravessa os relevos.